ÉRIKA COIMBRA FALA PARA UNITED FOR VOLLEY SOBRE SUA CARREIRA, RANKING E VOLEIBOL BRASILEIRO ATUAL

A ponteira afirma com todas as letras que não pretende se aposentar nem tão cedo e que ainda se sente prejudicada pelo ranking da CBV, que a impede de atuar em alguns clubes. Confira a entrevista completa feita pela United for Volley.


Foto: Divulgação desconhecida

Fale um pouco do início da sua trajetória no voleibol.

Comecei o vôlei em 1993 na escola Pedro Guerra aos 13 anos, me encantei pela estética do esporte! Tudo aconteceu muito rápido, aos 15 fui convocada para a seleção aonde disputei o Sul-americano Infanto-juvenil (aonde era uma categoria acima da minha), fui a melhor atacante e depois disso foi meteórica a carreira, eu era um fenômeno, aí o caminho ficou mais fácil. Em 97 disputei o mundial Infanto-juvenil na Tailândia, o qual o Brasil foi campeão e foi a primeira vez na história eu ganhei melhor saque, melhor ataque, maior pontuadora e melhor jogadora, todos esses prêmios individuais em um só campeonato. Aí quando voltei para o Brasil, todas equipes me queriam, eu optei para ir jogar no Rexona em Curitiba com o Bernardinho e depois foi tudo muito rápido, fui pra seleção principal um ano depois e já era titular, foi muito legal!

Aos 35 anos, gostaríamos que você definisse como está se sentindo fisicamente para jogar voleibol.

Fisicamente estou ótima! 

Com uma trajetória brilhante por clubes e principalmente pela seleção brasileira, qual título ou resultado você considera mais importante?

Pra mim o mundial da Tailândia em 97 foi o mais importante porque foi aonde tudo começou. E é claro, Olimpíadas é sempre um sonho jogar, então todas que joguei foram especiais.

Finalmente, o que você acha sobre o ranking da CBV? Em que exatamente ele te prejudica?

O ranking prejudica em "N" coisas, não dá pra escrever porque ficaria o dia todo aqui! Mas temos a mesma final de Superliga há 11 anos e nós jogadoras acabamos ficando sem time porque a nossa pontuação é alta. Falando de geral, ninguém é a favor disso e principalmente quando vamos ficando mais velha, quanto mais ponto temos, com menos escolha de equipe no país ficamos! Ano passado a Jaqueline sofreu esse problema e olha que ela ainda está na seleção aonde teoricamente era pra ser mais fácil, né? Imagina pra gente que já não faz parte da seleção a um tempo. O ranking prejudica muito e precisamos trabalhar, porque as pessoas, dirigentes etc estão lá trabalhando fazendo o que gostam e nós que dedicamos a vida a esse esporte ficamos aqui sem emprego sofrendo em ficar longe do que amamos fazer e ninguém tá nem aí com isso. Nós que fizemos a história, nós que atraímos fãs, público etc para a Superliga, então só espero que isso seja repensado com carinho e respeito às pessoas que dedicaram a vida ao vôlei. Sem o ranking, nós que vamos escolher a hora de parar e não a CBV!

Na sua opinião, qual país tem a maior escola de voleibol do mundo?

Pra mim nós somos a melhor escola de vôlei. É só ver o que temos feito nos últimos 23 anos.

Em relação ao cenário nacional do voleibol, o que você acha das categorias de base?

Temos que olhar mais para as categorias de base, os campeonatos estaduais da base estão terríveis! Quando eu jogava estadual na base em Minas, tinham 10 ou 12 equipes no metropolitano, hoje não tem nem metropolitano por falta de clubes e as jovens são o futuro desse esporte que tanto amo! Então precisamos agir logo ou vamos ficar sem reposição de jogadoras de qualidade em um futuro breve.

Qual o seu grau de confiança para o desempenho do Brasil nas Olimpíadas no Rio em 2016?

Eu acho o Brasil favorito em 2016 e em casa ainda com certeza ficaremos ainda mais forte!

Na sua opinião, qual é a melhor jogadora de voleibol do mundo na atualidade?

Melhor jogadora pra mim é a Kim.

Qual técnico brasileiro você mais admira, e por que?

O melhor com certeza é o Bernardinho! Ele é humano quando você precisa dele, está sempre à disposição, além de ser um cara que trabalha e estuda muito todas equipes.

Após tantos anos servindo à seleção brasileira, do que você mais sente falta?

Acho que cumpri minha fase na seleção muito bem! Não sinto falta de nada, foi uma fase muito especial, mas consegui disputar todos campeonatos que eu queria. Hoje fico apenas na torcida.

Sobre sua última passagem por clubes brasileiros, fale um pouco da experiência no Brasília Vôlei.

Jogar em Brasília (uma cidade que colocava 'N' dúvidas na minha cabeça antes de morar lá) foi muito legal. Descobri que Brasília não é tão fria e que nem só corrupção tem por lá. -risos- Conheci pessoas maravilhosas por lá, fiz grande amigos e o projeto foi quem me levou a conhecer tudo isso! Jogar lá foi muito legal.

Deixe uma mensagens para os seus fãs que acompanham a United for Volley.

Aos meus amados fãs, um beijo no coração e muito obrigada pelo carinho diário! Eu não pretendo me aposentar agora, tenho muito amor e físico ainda pra jogar e saiba que vocês me dão força pra continuar trabalhando e lutando por um vôlei melhor! Fiquem com Deus, amo vocês.

Agora, a jogadora segue esperando supostas medidas da CBV sobre o ranking, além de avaliar propostas de outras equipes para atuar ainda nesta temporada. Érika pode ainda não ter seu futuro definido, mas sabe-se que ela não irá se aposentar em breve.
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About Juliana Amaral

Brasileira e alagoana. Proprietária e Redatora da United for Volley, estudante de Jornalismo e Design Gráfico, jogadora de voleibol e amante de música pop.

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