Zé segue no comando: o que esperar do futuro da seleção brasileira feminina?

Após a eliminação precoce nas quartas de final das Olimpíadas Rio 2016, CBV anuncia que Zé Roberto segue no comando da seleção feminina de vôlei

Com um tricampeonato olímpico na carreira e provando sua eficiência, José Roberto Guimarães tem novos planos para a seleção brasileira. Apesar de citar nomes do passado, ele diz que a palavra de ordem é renovação.

Foto: FIVB

Em entrevista, Zé citou que achou a aposentadoria de Sheilla e Fabiana precoces. Para ele, ambas ainda tem muita bola pra jogar e farão bastante falta. Ao mesmo tempo, afirmar que ambas estariam aptas fisicamente para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 também teria arriscado, então a participação delas na seleção deveria ser apenas para os torneios mais próximos, como o Pan-americano, as próximas edições do Grand Prix ou torneios casuais.

O QUE ACONTECERÁ COM A SELEÇÃO BRASILEIRA FEMININA?

Com o objetivo de reaproveitar muitas jogadoras do ciclo olímpico e pôr uma outra parcela de caras novas, José Roberto Guimarães afirma que irá ousar e ser ainda mais observador em relação às categorias de base.

O que se sabe é que temos nomes jovens cotados para os novos ciclos olímpicos. Da nossa seleção de base campeã mundial sub-23 e vice-campeã mundial sub-20 é possível ressaltar o nome das jovens Paula Borgo, Rosamaria, Drussyla, Lorenne, Naiane, Juma, Juliana Paes, Laís Vasques, Valquíria, Milka, dentre outras. Tais atletas já atuam na elite do voleibol nacional, disputando a Superliga Feminina.

Foto: FIVB

Em termos técnicos, a maior dificuldade do Brasil ainda é a recepção, que oscila bastante e é responsável por muitos erros e derrotas sofridas pela equipe. Ao mesmo tempo, a base está construindo uma série de atletas especializadas em recepção, que é o caso da paraibana Drussyla, que atua no Rexona/Sesc. Apesar de não ser titular absoluta na equipe, ela traz como maior característica o fundo de quadra e agilidade, destacando-se também no ataque. Quanto a jogadora de explosão, como são chamadas as opostas, Paula Borgo e Lorenne têm crescido absurdamente seu nível de técnica, sendo destaque em seus respectivos clubes, Vôlei Nestlé e Sesi-SP.

Drussyla atuando pelo Rexona/Sesc. Foto: FIVB

Na entrada de rede, Natália deverá continuar a ser convocada junto a Gabi, uma parceria que durou anos no Rexona/Sesc, resultando em vários títulos de Superliga. Apesar de ambas não terem perfeito domínio da recepção, o técnico acredita que isso possa se trabalhado e superado com a ajuda das que estão chegando. Atualmente, as principais atletas de recepção do Brasil são Fernanda Garay e Jaqueline, ambas campeãs olímpicas em Londres 2012. Garay é nome certo na seleção e deverá ser convocada para as próximas competições. Apesar de tudo, a fábrica de passadoras, que está sendo prioridade no voleibol brasileiro, já está sendo observada e investida por parceiros de Zé no comando da seleção, como Wagão e Paulo Coco.

Foto: FIVB

Para substituir a capitã Fabiana pelo meio de rede, nenhum nome especial cotado, principalmente nessa fase de reformulação. Sabe-se que, Thaisa foi uma das que não se pronunciou sobre aposentadoria da seleção, e deverá seguir vestindo a camisa amarela por mais algum tempo, deixando para Zé apenas uma vaga apta a assumir a titularidade. O caso de Juciely é um pouco complicado, isto é, porque apesar de possuir bastante habilidade na posição, ela ainda é considerada baixa para os padrões internacionais e já está com 35 anos, possibilitando que ela mesma opte em não jogar mais pela seleção brasileira. Que fique claro que Juciely não é problema, é solução, como ela mesma pôde mostrar em boas atuações durante as Olimpíadas quando foi acionada, mas a caça por centrais jovens e altas segue com muita força, porque é realmente necessário. Como dito anteriormente, Valquíria e Milka, campeãs mundial sub-23 são candidatas às próximas convocações de Zé, junto à Carol, central do Rexona/Sesc, que foi cortada antes das Olimpíadas por lesão.

Foto: Fotojump

Na posição de levantadora, muitos são os nomes, mas a escolha tem que ser bastante pensada. Com Dani Lins e Fabíola ainda à sua disposição, Zé tem também as jovens Naiane e Juma crescendo diariamente em seus clubes e mostrando bons rendimentos com a amarelinha. Naiane já integrou a seleção brasileira principal e esteve por um tris de estar nos Jogos Olímpicos, enquanto Juma foi campeã mundial sub-23 faturando o prêmio de MVP no torneio, onde Naiane também esteve presente, mas foi sua reserva. A levantadora Roberta, já não tão nova assim, também ronda a posição, e tudo isso vai depender das oportunidades que forem dadas a elas, assim como Macris, levantadora do Brasília Vôlei, já teve chance e desde então não foi mais convocada.

Foto: FIVB

O CASO CAMILA BRAIT

Na posição de líbero, o mistério é ainda maior. Após a polêmica decisão de Camila Brait de anunciar aposentadoria da seleção brasileira ao ser cortada às vésperas dos Jogos Olímpicos ainda levanta a questão de se ela pode ou não voltar atrás. Segundo a própria, a hipótese da volta está descartada, principalmente por ela obter novos planos de carreiras, dentre eles, ter seu primeiro filho.

Foto: FIVB

Muitos fãs da atleta ou apenas espectadores acham que ela deveria se chamada de volta por Zé, nem que isso custasse uma longa conversa. A verdade é que Camila Brait foi muito importante para a seleção brasileira e seu corte ainda é tido como surpresa. Por ser mais jovem e apresentar boa técnica independente de qualquer corte, ela continuará sendo observada para uma nova convocação.

A líbero Léia que disputou o último ciclo olímpico, ainda se encontra à disposição de Zé Roberto para novas experiências pela seleção, o único problema também se encontra na ideia da mesma, que está com 31 anos e teria 35 no próximo ciclo, podendo apresentar problemas físicos do tempo ou até mesmo não apresentar nenhum e estar apta. Essa questão só o tempo irá dizer.

JOGADORAS QUE PENSAM EM ENGRAVIDAR

De pé no chão, o técnico do Brasil também comentou sobre as jogadoras que planejam engravidar. Dentre elas, Dani Lins e Fernanda Garay, ambas campeãs olímpicas em Londres e querem dar continuidade a sua família. Zé afirmou que não há problema nenhum com a escolha das atletas e até opinou que a melhor hora para engravidar seriam o próximos dois anos, que ficariam distantes do próximo ciclo olímpico e não atrapalharia em nada nos planos da seleção brasileira.

Foto: FIVB

A NECESSIDADE DE MANTER JAQUELINE NO ELENCO

Por que mesmo sem ter sido titular nas Olimpíadas Jaqueline ainda é necessária? A resposta para essa questão não é nem um pouco difícil. A bicampeã olímpica possui habilidades inigualáveis. Em seu nível técnico, ela traz volume de jogo, excelente recepção e defesas incríveis. Uma jogadora como Jaqueline não pode ser descartada nem tão cedo. Apesar de seus problemas físicos envolvendo a coluna, ela ainda sim se entrega à partida e a cada vez que entra em quadra, dá um novo significado ao jogo. Ela entra em quadra trazendo seus títulos e isso faz as adversárias temer, principalmente quando ela está no fundo de quadra. Sabendo de sua dificuldade na virada de bola, Jaque opta muitas vezes por usar a experiência para explorar bloqueio ou mudar rapidamente a trajetória de seu ataque, dando sua contribuição para a equipe. Mesmo não sendo uma jogadora propriamente de finalização, ela tenta suprir a necessidade do momento e isso acaba dando bastante certo, como tem acontecido nas partidas em que ela entrou em quadra no momento que o Brasil perdia.

Foto: FIVB

Aos 32 anos, ela é ídolo da torcida brasileira e do resto do mundo, sendo considerada uma das melhores jogadoras da atualidade. Obviamente, não se pode ter uma sobrecarga em cima de Jaqueline, principalmente por seu histórico de lesões. Mas o que está em questão é que ela deve ser convocada para dar uma certa experiência e aumento de nível técnico para a seleção, o que é de grande importância.

PENSAMENTOS POSITIVOS E OLHO NAS GAROTAS

A coisa mais importante a se fazer agora é observar o desempenho das meninas junto ao técnico. Ou seja, com a Superliga Feminina se aproximando, teremos muito tempo para acompanhar a evolução de cada atleta. Caras mais novas estão pintando nos elencos, assim como aqueles clubes que decidiram investir nas atletas e vieram com um elenco forte. Para isso, também necessário o apoio e valorização da base, onde poderemos apoiar o trabalho das atletas que se dedicam desde cedo com o sonho de um dia vestir a verde e amarela no âmbito profissional.
Compartilhe no Google+

About Juliana Amaral

Brasileira e alagoana. Proprietária e Redatora da United for Volley, estudante de Jornalismo e Design Gráfico, jogadora de voleibol e amante de música pop.

0 comentários:

Postar um comentário